Pesquisa da UFCG de Sumé estuda mortes violentas intencionais no Nordeste e os gastos em segurança pública


Última atualização em 06/07/2018 às 09h09, por Junior

As mortes violentas intencionais no Nordeste cresceram exponencialmente nos últimos quinze anos, é o que aponta uma pesquisa do professor José Maria Pereira da Nóbrega Junior, do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido da Universidade Federal de Campina Grande, publicada na Revista do Laboratório de Estudos da Violência da UNESP/Marília, última edição (maio de 2018).

De acordo com a pesquisa, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública demonstram que, o Nordeste, foi responsável por mais de 40% das 61,5 mil dessas mortes.

O trabalho que foi publicado pelo professor teve o intuito de testar a hipótese na qual os gastos/investimentos feitos pelo governo na segurança pública, bem como as apreensões de armas de fogo ilegais, impactam positivamente no controle dos homicídios no Nordeste.

“Os principais resultados apontam para maior nível de associação das mortes violentas intencionais com as apreensões de armas de fogo ilegais e com impacto menor dos gastos/investimentos”, destaca o professor na pesquisa.

As mortes violentas intencionais correspondem à soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora de serviço (em alguns casos, contabilizadas dentro dos homicídios dolosos).

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No Brasil, em 2016, foram 61,5 mil pessoas assassinadas no país. Dessas, 24.825 foram perpetradas na região Nordeste, o que corresponde a mais de 40% dos casos registrados no país. As três maiores taxas de homicídios do país foram nordestinas: Sergipe, no topo, com 64 para 100 mil habitantes; Rio Grande do Norte teve a segunda maior taxa de homicídios do Brasil, 56,9 para 100 mil habitantes; e Alagoas, que vinha no topo da lista, passou ao terceiro lugar com a taxa de 55,9/100 mil (dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2017).

“Os dados são alarmantes e as políticas públicas de segurança aparecem como efeito dissuasivo fundamental para o seu controle. O que parece convincente é a falta de uma agenda regional para a segurança pública. Os crimes patrimoniais, o tráfico de drogas e os estupros são crescentes na região. Pouco vem sendo feito pelos governos locais e, casos de sucesso, como o Pacto Pela Vida em Pernambuco, vem definhando com falta de manutenção de sua política quando da mudança de governos”, registra o professor na pesquisa.

No estudo o autor conclui: “mostra-se fundamental para as políticas públicas em segurança a análise dos dados e, por sua vez, a produção de diagnósticos precisos sobre tais dados para o bom gerenciamento da pasta nos Estados nordestinos. O Brasil é um país extremamente violento, a região nordeste é a mais violenta do país. No entanto, pouco é efetuado em termos de políticas públicas de segurança com uso de inteligência nos estados da região. Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco com elevações consistentes das mortes violentas intencionais entre 2015 e 2016 preocupam. A Paraíba foi o único estado da região a apresentar redução das mortes violentas intencionais com -12% de 2015 para 2016. O estado da arte sobre os estudos da violência e da segurança pública mostra avanço nos últimos dez anos. Mais estudos com o uso da estatística e da inferência causal são alvissareiros para a área. No entanto, ainda são pouco influentes na gestão da política pública de segurança no país”.

Assimp CDSA/UFCG

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