Depressão e crise de ansiedade crescem no fim do ano


Última atualização em 24/12/2018 às 08h53, por Junior

As festas de fim de ano, com as confraternizações, Natal, Réveillon e as expectativas para um novo ano, nem sempre são sinônimo de alegria e comemorações. Para muitas pessoas, este é justamente o período de mais angústia e tristeza. O sinal de alerta fica ainda mais forte com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. No Centro de Valorização da Vida (CVV), organização não governamental que oferece apoio emocional e prevenção do suicídio 24 horas por dia, o número de ligações recebidas costuma aumentar em média 15% no mês de dezembro.

“Essa época envolve também muitos sentimentos de frustração, desconforto por conta dos encontros de amigos, das reuniões das famílias, da contemplação religiosa e quem não está inserido nesse contexto sofre ainda mais com essas situações. É uma fase de muito delicada, de melancolia, nostalgia e que são gatilhos para surtos e crises depressivas”, explica a psicóloga do Hapvida, Danielle Azevedo.

Segundo a especialista, muitas pessoas também enxergam esse período como um fechamento de ciclos e início de outros. “Alguns se frustram por não terem conseguido realizar a dieta planejada, pelo desemprego, pelos problemas no casamento que não foram resolvidos, por não terem liberado perdão. Outros já sofrem com ansiedade pelo começo do novo ano e os planos que chegam com ele”, reforça.

Ela relata ainda que os atendimentos nos consultórios e até nos serviços de emergência têm um aumento nesse período, devido a esses fatores que acabam desencadeando crises de transtorno de ansiedade, de síndrome do pânico e de depressão. “Ano passado perdi dois pacientes, que tiraram suas vidas no mês de dezembro. É um tempo que requer atenção redobrada por parte das pessoas que estão no entorno dos indivíduos que sofrem com essas doenças”, alerta.

Mudança de atitude – Para enfrentar essa fase, Danielle Azevedo, fala sobre algumas atitudes que podem melhorar a angústia do período e fazer com que as pessoas enfrentem essa etapa com empatia. Ela recomenda que pessoas planejem o período com antecedência, reservando algumas horas para pensar em como irão cuidar de si mesmo durante o mês; evitar conflitos familiares; diminuir os compromissos; lembrar que a perfeição não existe; fazer atividades físicas; não exagerar no consumo de comida e bebidas alcoólicas e procurar ajuda profissional, caso os momentos de tristeza sejam consecutivos.

Dados – Conforme as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgadas no ano passado, 23, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população. Pesam nesse cenário, de acordo com os especialistas ouvidos pelo estudo, fatores socioeconômicos, como pobreza e desemprego, e ambientais, como o estilo de vida em grandes cidades.

Contudo, os dados da OMS mostram que o problema é global. São 322 milhões de pessoas com depressão em todo o mundo – 4,4% da população e 18% a mais do que há dez anos. De acordo com a entidade, no Brasil, em 2015, eram 11,5 milhões com a doença e 18,6 milhões com transtorno de ansiedade. Os Países com maiores taxas de depressão no mundo são: Ucrânia (6,3%), Austrália (5,9%), Estônia (5,9%), Estados Unidos (5,9%) e Brasil (5,8%).

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