Paraíba registrou 14 mortos com a Síndrome de Guillain-Barré em três anos; saiba mais sobre a doença


Última atualização em 12/03/2019 às 08h34, por Klebson

Nos últimos três anos na Paraíba, 14 pessoas já morreram vítimas da Síndrome de Guillain-Barré. Os dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam que 8 óbitos foram registrados em 2016, 2 em 2017 e 4 em 2018.

Já em 2019, a professora Jacielma Matias Araújo Farias, de 41 anos, morreu em Patos, no Sertão paraibano, na terça-feira (5) de Carnaval, vítima da doença. Ela estava internada durante oito dias no Hospital Antônio Targino, em Campina Grande. As informações são de que ela foi diagnosticada com a Síndrome de Guillain-Barré, em dezembro do ano passado.

A Síndrome de Guillain-Barré

Conforme explica o Ministério da Saúde, a síndrome de Guillain-Barré é um distúrbio autoimune, ou seja, o sistema imunológico do próprio corpo ataca parte do sistema nervoso, que são os nervos que conectam o cérebro com outras partes do organismo. É geralmente provocado por um processo infeccioso anterior e manifesta fraqueza muscular, com redução ou ausência de reflexos. Várias infecções têm sido associadas à Síndrome de Guillain-Barré, sendo a infecção por Campylobacter, que causa diarreia, a mais comum. A incidência anual é de 1 a 4 casos por 100.000 habitantes e pico entre 20 e 40 anos de idade.

Especialista explica

O médico neurologista Rafael de Souza Andrade conversou com o ClickPB sobre a síndrome e explicou que, geralmente, ela pode ser percebida pelo enfraquecimento dos músculos das pernas e formigamentos nas extremidades, como pés e mãos.

Com essas suspeitas, segundo o médico Rafael, a pessoa deve procurar atendimento médico especializado em neurologia. Ela será submetida a dois tipos de exames: o exame eletrofisiológico, que são leves choques para avaliar a sensibilidade e força no corpo do paciente, e a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor).

Tratamento

Constatada a Síndrome de Guillain-Barré, a pessoa deve ser internada para receber doses de imunoglobina. “O SUS dispõe de Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para a Síndrome de Guillain-Barré, que prevê entre outros tratamentos, a disponibilidade do medicamento imunoglobolina intravenosa (IgIV) e do procedimento plasmaférese, que é uma técnica de transfusão que permite retirar plasma sanguíneo de um doador ou de um doente. O médico é o profissional responsável por indicar o melhor tratamento para o paciente, conforme cada caso. Não há necessidade de tratamento de manutenção fora da fase aguda da doença”, diz o Ministério da Saúde.

Demora envolve riscos

O médico Rafael Andrade contou ao ClickPB que nem sempre a recuperação é rápida. Ele também alertou que se houver demora na procura por tratamento, há riscos maiores. O neurologista também apontou dados animadores: cerca de 90% das vítimas se recuperam. O tratamento com imunoglobina dura em torno de 4 semanas. A recuperação total é percebida entre 4 e 6 meses após combate à doença.

Insuficiência respiratória

Nos casos de morte, como a da professora Jacielma, em Patos, o neurologista aponta que a maioria dos óbitos acontece por insuficiência respiratória. Nesses casos, é quando a síndrome ataca os músculos do sistema respiratório.

O neurologista disse ainda ao ClickPB que não há como prever a chegada da doença, mas que é importante uma assistência médica adequada. Ele alertou que a Síndrome de Guillain-Barré pode ser consequência de uma infecção, principalmente respiratória ou gastro-intestinal. Ao fim do ciclo da infecção, o sistema imunológico em vez de combater a célula restante da doença, ataca o sistema nervoso periférico e então causa a Síndrome de Guillain-Barré. Ele disse que isso também pode acontecer em casos de hipersensibilidade a uma vacina, em que o sistema imunológico age da mesma forma: confunde o combate à célula da vacina injetada no corpo e acaba por combater o sistema nervoso periférico.

Associação com dengue, zika e chikungunya

O neurologista destacou ainda que a dengue, zika e chikungunya podem levar à Síndrome de Guillain-Barré, como as infecções citadas acima. Ele relatou que na época de surto dessas arboviroses, em 2014 e 2015, houve aumento também nos casos da doença rara. Ele contou, ainda, que nos meses do ano em que há mais registros de pessoas com dengue, zika ou chikungunya também há elevação nos casos de afetados pela síndrome.

Hospitais Universitários na Paraíba são referências para tratamento

Em números extra-oficiais, o Hospital Universitário Lauro Wanderley, o HU em João Pessoa, pertencente à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atende, por mês, em torno de três pessoas diagnosticadas com a Síndrome de Guillain-Barré.

O HU na Capital e o Hospital Universitário Alcides Carneiro, em Campina Grande, são referências no tratamento às pessoas diagnosticadas com a doença.

O Ministério da Saúde diz que a Guillain-Barré é uma doença rara e não é de notificação compulsória.

 

com ClickPB

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